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Cachimbo de Água

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Vou escrevendo

Francisco Luís Fontinha 20 Jun 17

Vou escrevendo antes que termine o dia,

E o meu corpo, se transforme em cinza luar,

Vou escrevendo sem alegria,

Porque regressando a noite escura,

Não tenho força para abraçar o mar…

Nem tempo para a ternura,

 

Sei que aos teus olhos sou um cadáver sem destino,

Um barco ancorado ao teu sorriso de prata,

Um pobre menino…

Vivendo num bairro de lata,

 

Vou escrevendo…

 

Vou escrevendo antes que termine o dia,

E o meu corpo, se transforme em cinza luar…

 

Vou vivendo o dia, antes que este termine e regresse o teu cabelo desajeitado,

Oiço no teu silêncio a viagem do mendigo…

Quando em tempos sentia

O peso esquecido

Da morte espada sentes de lutar,

 

Há-de crescer um dia,

Onde vou escrever as palavras dardos de sangue das tuas coxas de xisto prateado…

Sento-me na rua…

Sento-me, escrevendo o que a mão me deixar,

E alguém dizia,

Que a tua poesia

Livre e nua

Adormecia na minha solidão de amar…

 

Vou escrevendo, vagabundo da cidade perdida.

 

 

 

Francisco Luís fontinha

Alijó, 20 de Junho de 2017

Quatro esquinas de paixão

Francisco Luís Fontinha 11 Fev 14

foto de: A&M ART and Photos

 

A face oculta do silêncio entre quatro esquinas de paixão,

o sofrimento que cresce, que dorme... que alimenta o cansaço do triste Inverno,

as três pedras da literatura que habitam sobre ti como rios indomáveis, doentes...

como solidões prisioneiras nas árvores do medo,

a face da maré envenenada quando os peixes voam na cidade do inferno,

quando o vento bate na tua janela e cedo percebes que a madrugada não existe,

que ela não é mais do que uma sílaba tonta nos lábios de um homem de palha molhada,

que hoje me sinto tão cansado... que perdi a minha face na lareira do fim de tarde,

 

A face tua que me deixa nas penumbras luzes dos holofotes de areia,

a palavra não dita,

esquecida,

a palavra maldita que transportas na tua boca...

 

Que hoje, hoje pareço um farrapo mergulhado em fenol...

 

A face planície das gaivotas de porcelana,

às tuas mãos o distante caminho da esperança,

acreditas,

e fazes-me acreditar nos lençóis de amianto,

nas flores em papel crepe,

no orvalho,

e na geada envelhecida das noites sem poesia,

e o poema morre nos teus olhos de vidro...

 

 

@Francisco Luís Fontinha – Alijó

Segunda-feira, 10 de Fevereiro de 2014

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