Blog de Luís Fontinha. Nasceu em Luanda a 23/01/1966 e reside em Alijó - Portugal desde Setembro de 1971. Desenhador de construção civil, estudou Eng. Mecânica na ESTiG. Escreve, pinta, apaixonado por livros e cachimbos...

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Mar 11

Sentado

À direita de um cachimbo

De água, (que sobre a minha secretária

Adormece, sonha e alimenta-se

Das minhas lágrimas nocturnas…)

Eu, senhor do infinitamente só,

Só nas noites de inverno,

Só para os amigos,

 

Eu… ser nada ninguém,

 

Sentado

Dispersamente na tua sombra

Que no delírio da madrugada,

Também ela só,

Também ela infinitamente só…

Se despede de mim!

 

E num jardim de lírios

Os nossos delírios…

 

As nossas mãos

Separadas pela escuridão do teu olhar,

O teu olhar que me deseja,

E me aprisiona às tarde de inverno,

A tua boca, um inferno,

Um silêncio de medo…

 

Eu… ser nada ninguém,

Infinitamente só,

Só para os amigos;

 

Sentado

À direita de um cachimbo de água!

 

 

Luís Fontinha

Alijó

publicado por Francisco Luís Fontinha às 12:48

Enfim só

Nesta sem fim noite adormecida

Enfim eu neste labirinto a que chamam noite

Enfim só. Enfim caminhando

 

Pela claridade do silêncio

Na sem fim noite escura de mim,

 

Da sem fim noite prometida.

 

Enfim só

À procura, na busca, caminhando

Eternamente só,

Na sem fim clareira esquecida.

 

Enfim só

 

Nesta sem fim noite adormecida

 

Enfim finalmente eu

Só, com a tua sombra adornada no vácuo

Tapando a minha janela em delírio

Dos teus gemidos nocturnos,

 

Que na noite me iluminam

E me dizem baixinho

Ao ouvido;

Enfim só

Só sem fim nesta noite maldita…

 

Porque só,

Da sem fim noite prometida,

 

Eu, enfim só!

 

 

Luís Fontinha

Alijó

publicado por Francisco Luís Fontinha às 10:38

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