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Cachimbo de Água

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… rochedos da saudade

Francisco Luís Fontinha 11 Jan 14

foto de: A&M ART and Photos

 

Diluímos-nos com os velhos vapores que a solidão alicerça nos rochedos da saudade

habitávamos num fino e escuro cubículo de paixão com telhado de vidro

tínhamos na mão a varanda do suicídio construída com as raízes do medo

e voávamos como serpentes de papel nos cortinados das lareiras sem nome...

éramos o ébano lençol de seda com desenhos bordados a fogo

descíamos das nuvens embebidas em frestas de gesso e pedaços de madeira envelhecida...

fugíamos... fugíamos como loucas pedras em granito esquecidas na espuma do Pôr-do-Sol

inventávamos o mar dentro das nossas veias onde corriam insectos e outros objectos da noite

luzes

néons como venenos que iluminavam a madrugada das livrarias empoeiradas

diluímos-nos com os velhos vapores...

… rochedos da saudade,

 

Há uma saudade invisível nos socalcos da cidade das marés lunares

um barco de sémen navega sobre a tua pele doirada quando pintada com pincéis de aço

o teu corpo se transforma em fome

os teus braços desassossegam todos os transeuntes mendigos da dita cidade das marés lunares...

uma criança procura chocolates de areia nas algibeiras do segredo

corre como uma lebre talude abaixo

e do sol chegam até nós os prometidos apitos dos vapores que a solidão... alicerça... a saudade...

submerges nos êmbolos loucos dos relógios de parede

saberás abraçar-me?

desejo-te em cachimbos de madeira voando como gaivotas em silêncios de tabaco

o perfume entranha-se nas grades do soalho das pequenas sílabas que dormem no quarto do grito

e uma outra criança chega a ti e pergunta-te... porquê pai?

 

 

(não revisto)

@Francisco Luís Fontinha – Alijó

Sábado, 11 de Janeiro de 2014

segredo

Francisco Luís Fontinha 3 Dez 13

foto de: A&M ART and Photos

 

o segredo transversal das caravelas de nariz curto

ouve-se dentro dos círculos verdes nos desejos andaimes das gaivotas embriagadas...

temos medo do segredo

medo que habitem na vizinha lareira os torneados espantalhos de pedra

o segredo existe

e vive

e dorme...

dorme docemente nas veredas nuvens da sinceridade...

o corpo em segredo estremece

tomba como sonâmbulos ouriços vomitando castanhas

vozes

e palavras em segredo

e palavras

palavras... em medo

o segredo segreda-nos os uivos do desejo poema entrelaçado na alvorada manhã...

escrevem-se as palavras no corpo

(o tal corpo em segredo)

sente-se o medo

e senta-se o medo nas cadeiras de praia sobre a branca areia do Mussulo...

sei que não percebes as minhas palavras de medo

como as outras

as palavras em segredo...

 

 

(não revisto)

@Francisco Luís Fontinha – Alijó

Terça-feira, 3 de Dezembro de 2013

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