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Cachimbo de Água

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Mercado

Francisco Luís Fontinha 24 Dez 13

foto de: A&M ART and Photos

 

Percebo as linhas transversais do teu olhar

quando o Gin se entranha no vórtice das tuas nádegas transparentes

oiço os gemidos da geada

oiço-te escrever palavras avulso nos cortinados de papel

e percebo

percebo que onde estás sentada existe uma sombra que me pertencia

e me amava

espero que te abras

e me enlouqueças com os sons das tuas alegres alvenarias

sinto-te dentro de mim

como um sismo derramando crustáceos envenenados

… sinto-te gritar o meu nome... aquele que rasgaste numa noite de tempestade,

Percebo porque têm lágrimas os vidros da tua janela

sei que lá fora morre um transeunte maligno

um coitado e sem abrigo...

percebo as tuas lágrimas quando em mim se entranha o Gin

crescem aleatoriamente nas minhas mãos os jardins complexos do silêncio

e dizem que vais abrir-te brevemente

como uma gaivota em voos loucos procurando veleiros com azia

e marés de areia com vómitos silabados,

Este é o meu Natal...

ir ao Mercado

beber uns quantos gins... e aleatoriamente como os jardins complexos do silêncio...

voar como as gaivotas

gritar o meu nome contra as paredes que o granito construiu para as madrugadas do medo

percebo

as linhas transversais do teu olhar

percebo que o meu corpo levita

sentado sobre quatro tábuas de mogno...

este é o meu Natal

triste

e embriagado triste... olhando as límpidas alvenarias do mercado.

 

 

(não revisto)

@Francisco Luís Fontinha – Alijó

Terça-feira, 24 de Dezembro de 2013

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