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Cachimbo de Água

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Janelas da solidão

Francisco Luís Fontinha 28 Dez 13

foto de: A&M ART and Photos

 

São as tuas mãos frias e doces que alimentam o meu olhar

são as tuas mãos a lareira do desejo

o sincelo amigo nas manhãs nubladas

são elas a chuva prometida

que a tua pele doirada absorve

como caramelo derretido numa panela de pressão angustiada

as vãs noites resfriadas enquanto espero por elas...

… as tuas mãos que poisam no rosto do sem-abrigo

e aquecem o mendigo

são as tuas mãos frias...

e doces...

e singelas sesmarias que alimentam o meu olhar

São as tuas mãos frias

aquelas que o papel engole quando às palavras vem a tristeza

o barco recusa-se a navegar no teu corpo

e o mar

e a madrugada lívida dos pássaros marinheiros

voam sobre a cidade dos homens abandonados

e se não fossem as tuas mãos

aquelas... as tais... que dizem ser frias...

e se não fossem elas?

nós?

Imaginas a nossa vida...

vivermos sem saber o que são as tuas mãos frias

E doces que alimentam o meu olhar

o mundo seria quadrado

a lua talvez fosse filha de um triângulos isósceles

pobre como eu

tão pobre que nem se consegue ver no céu...

se não fossem as tuas doces e tristes mãos

o que seria da raiz quadrada e do cosseno de trinta grados?

e tu miúda

bela e tão bela

preocupada com um borbulha... coisa insignificante

porque são as tuas mãos

as tais... as doces e frias... as janelas da solidão.

 

 

(não revisto)

@Francisco Luís Fontinha – Alijó

Sábado, 28 de Dezembro de 2013

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