Blog de Luís Fontinha. Nasceu em Luanda a 23/01/1966 e reside em Alijó - Portugal desde Setembro de 1971. Desenhador de construção civil, estudou Eng. Mecânica na ESTiG. Escreve, pinta, apaixonado por livros e cachimbos...

19
Ago 15

Uma equação morre no quadriculado papel da insónia,

Tenho parábolas entranhadas no peito,

Acaricio o foco…

Abraço a directriz,

Aos poucos sinto os traços do amor entre lágrimas de giz

E pedacinhos de ausência,

As curvas planas deambulam sobre o meu cabelo,

Oiço o ranger da madrugada

Na algibeira de um ardina,

As palavras… voam em direcção ao mar,

Uma cigana lê-me a sina…

Coitada… coitada da geometria

Cravada no silêncio da vida,

Coitada da cigana… embrulhada na sombra de uma triste avenida,

Coitado de mim…

Esquecido numa seara de incenso,

Penso,

Não penso,

Sinto em ti o difícil sorriso caindo do alto da montanha,

Ela, a cigana, corre, corre… e ninguém a apanha,

Estou farto da poesia,

E dos sonhos encastrados aos rochedos do medo,

O sono fugiu de mim,

Partiu para outro continente…

Não me levou,

E fiquei só,

Com esta equação no quadriculado papel da insónia…

Vivo,

Respiro,

E fumo… e fumo noites de agonia.

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Quarta-feira, 19 de Agosto de 2015

publicado por Francisco Luís Fontinha às 21:42

20
Mar 15

Esta casa em alvorada sinfonia

o som das palavras contra os cubos de xisto

que habitam as montanhas da insónia

o sono

em suspenso

GREVE

hoje

em alvorada sinfonia

esta casa

velha

desabitada

triste e cansada...

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Sexta-feira, 20 de Março de 2015

publicado por Francisco Luís Fontinha às 20:46

13
Dez 14

Esta rua que me alimenta

esta rua que me corre nas veias

esta rua sem sombras

esta rua sem candeias,

tem plátanos embalsamados

tem gaivotas em papel

esta rua que me alimenta

esta rua dos silêncios embriagados,

das plumas enfeitiçadas

esta rua construída com sorrisos de vento...

a minha rua tem casas

e... e flores em sofrimento,

esta rua das noitadas

e dos cinzentos olhares com odor a poesia

na minha rua habitam canções...

e palavras em agonia,

ai... esta rua dos alentos em evaporação

e das barcaças em melodia

esta rua é vida

... esta é a rua da fantasia,

sinto a sinfonia

das tristezas disfarçadas de madrugada

esta rua nunca está cansada

esta rua... esta é uma rua apaixonada.

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Sábado, 13 de Dezembro de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 22:48

29
Nov 14

A astronomia loucura do profeta

as paredes encarceradas do guerreiro desconhecido

à força e pela força

o cansaço espaço de luz nos confins rochedos da melancolia

a astronomia

embriagada pelos momentos sem pressa

numa carta de despedida

sem palavras

ou... ou remetente

uma aventura na escuridão da cama do sonambulismo

os cigarros absorvidos pela morte do fumo colorido...

e um caixão de espuma poisado nos alicerces da canção de revolta

 

cessem este destino

e o silêncio

da atmosfera encarnada em comestíveis soluços de desejo

a astronomia loucura do profeta

sentado em frente ao espelho da agonia

sem sentido

sem... sem melodia

antes de acordar o dia

 

o vento sofrido

o corpo mordido pelos meus dedos

o odor embalsamado do prazer

em finíssimos gemidos

e uivos...

e no entanto

não existem ruas na minha mão

casas

flores

nada

apenas... um rio adormecido numa fotografia

e um Domingo desorganizado e despido...

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Sábado, 29 de Novembro de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 22:17

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