Blog de Luís Fontinha. Nasceu em Luanda a 23/01/1966 e reside em Alijó - Portugal desde Setembro de 1971. Desenhador de construção civil, estudou Eng. Mecânica na ESTiG. Escreve, pinta, apaixonado por livros e cachimbos...

10
Jul 14

Não alimentes a minha fome,

porque eu não quero comer,

não, não grites o meu nome...

… porque sem a tua mão sou capaz de viver,

 

Escrever,

e... e sonhar,

 

Não alimentes a minha fome,

não cerres toas as janelas do meu olhar,

não me peças para chorar,

não, não sei chorar...

 

(escrever,

e... e sonhar),

 

Não alimentes a minha fome,

não quero os teus lábios de ciclone,

vagueando no meu peito, sobrevoando os meus cabelos tristes,

não,

porque insistes?

que eu seja o que nunca quis ser,

não,

não quero comer,

não,

não quero correr...

apenas quero ser o mar,

com lençóis de amanhecer,

 

(escrever,

e... e sonhar),

 

Não, não me obrigues a voar!

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Quinta-feira, 10 de Julho de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 21:24

04
Mai 14

não tenhas pressa de morrer

voa como os pássaros embrulhados em pedaços de liberdade

ouve a canção da madrugada

escuta as minhas palavras

pega na minha mão

vamos sonhar com o mar

não tenhas pressa em partir

viajar

porque quando descer a noite sobre ti

haverá sempre uma língua de Luar

haverá sempre um espelho com o teu sorriso...

que nunca deixará que eu te esqueça,

 

ouve-me

não tenhas pressa de te ausentares dos meus braços

não tenhas pressa de morrer

não

não acredites no que ouves

escuta o silêncio do amanhecer

e vamos brincar

como o fazíamos junto à Baía de Luanda

quando inventávamos barcos

e pequenos fios de luz com sabor a saudade

ouve-me

não,

 

não tenhas pressa de morrer

voa

voa sobre os telhados de zinco das sanzalas de porcelana

saboreia a chuva miudinha

salta sobre os charcos invisíveis do entardecer

vive

vive sem sofrer

vive... vive acreditando que ainda existem manhãs de Primavera

vive... como se fosse hoje o teu último dia

e acredita

e não tenhas pressa de morrer

… não.

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Domingo, 4 de Maio de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 14:56

02
Mai 11

Que algas são estas que se enrolam no meu corpo

Prendem-me os braços ao cansaço da noite

E na minha mão em desespero

Desenham silêncios ao amanhecer

 

Serei eu um rio

Ribeira perdida na montanha?

Que algas são estas que se enrolam no meu corpo

E não me deixam voar

 

Eu uma gaivota em morte lenta

Cortada em pedacinhos de tristeza

Que algas são estas

Que não me deixam caminhar

 

Que me proíbem de sonhar…

 

 

Luís Fontinha

2 de Maio de 2011

Alijó

publicado por Francisco Luís Fontinha às 12:13

25
Abr 11

À espera de um olhar,

Um apenas; o teu.

 

E neste jardim

Onde me sento e descanso,

Longe de mim,

Esconder o que penso.

 

À espera de um olhar,

Um apenas; o teu.

 

Não tenho pressa de caminhar,

E se adormeço,

Não posso adormecer. Fico a sonhar,

À espera de um olhar,

Um apenas; o teu.

E não sendo o que pareço,

 

À espera de um olhar,

Um apenas; o teu.

O teu olhar que não mereço.

 

 

Luís Fontinha

Alijó

publicado por Francisco Luís Fontinha às 00:32

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