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Cachimbo de Água

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Os teus bracinhos

Francisco Luís Fontinha 27 Abr 11

Pego nos teus bracinhos

E saboreio a cânfora das manhãs de primavera

Entalo-me nas frestas do meu quarto

Quando a luz se acende só para mim

 

Hoje eu com sono

Pregado ao tecto de cabeça para baixo

Espreito pelas frestas

E a minha sombra poisa sobre a mesinha de cabeceira

 

Muito arrumadinho

Quietinho como se fosse um relógio de parede

Esquecido na poeira das tardes quando pela janela

Entra o mar

 

E das suas ondas os teus bracinhos

Que me incendeiam os olhos

E nos meus lábios deixam a secura do deserto…

Hoje eu com sono

 

Hoje eu com sono pregado no tecto

E de cabeça para baixo

Uma parte de mim entalada nas frestas

A outra metade escondida no guarda-fatos

 

Debaixo da almofada

Pego nos teus bracinhos

E saboreio a cânfora das manhãs de primavera

E hoje sim hoje eu com sono…

 

 

Luís Fontinha

27 de Abril de 2011

Alijó

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