Blog de Luís Fontinha. Nasceu em Luanda a 23/01/1966 e reside em Alijó - Portugal desde Setembro de 1971. Desenhador de construção civil, estudou Eng. Mecânica na ESTiG. Escreve, pinta, apaixonado por livros e cachimbos...

09
Mar 11

Vagueio juntamente com a sombra

E descemos a calçada.

O silêncio é pouco

E da noite caem flores mortas,

 

Nos meus ouvidos escrevem-se palavras de revolta

Que o meu olhar não consegue perceber,

Abro a boca, e apenas consigo acordar

A palavra fome,

 

Alimento-me de sílabas

E das palavras cozinho textos

Que são o meu jantar ao deitar; - vagueio juntamente com a sombra.

E os malmequeres deixaram de sorrir

 

E todas as flores, mortas.

A areia fina do mar transformou-se em rochas escuras

E o próprio mar deixou de ondular,

E as sombras agarradas aos meus braços,

 

E da minha boca tirando a palavra fome

Que acabei de acordar,

Começo a vomitar a palavra “basta de palhaçada”…

E o pôr-do-sol deixou de brilhar.

 

Vagueio juntamente com a sombra

E descemos a calçada.

O silêncio é pouco

E da noite caem flores mortas,

 

Os pássaros nunca mais pendurados nos plátanos

E mesmo a calçada começa a sofrer de solidão,

A água dos rios cansada de correr para o mar…

E junto ao mar… não barcos,

 

Apenas esqueletos pendurados nos sorrisos dos palhaços.

Vagueio juntamente com a sombra

E espero pela madrugada…

Talvez eu tenha estado a sonhar…

 

 

Luís Fontinha

9 de Março de 2011

publicado por Francisco Luís Fontinha às 23:07

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