Blog de Luís Fontinha. Nasceu em Luanda a 23/01/1966 e reside em Alijó - Portugal desde Setembro de 1971. Desenhador de construção civil, estudou Eng. Mecânica na ESTiG. Escreve, pinta, apaixonado por livros e cachimbos...

12
Jun 19

Sou,

Sou tudo aquilo que tu não querias que eu fosse,

Sou a escuridão,

Pássaro,

Avião,

Sou,

Sou a pétala de rosa que trazes nos lábios,

O poema cansado que beijam os teus seios…

Sou,

Sou pedreiro,

Carpinteiro,

E coveiro dos textos imperfeitos.

Sou,

Sou os socalcos que iluminam o teu olhar,

Sou a penumbra madrugada quando vais trabalhar,

Sou,

Sou a esperança de viver,

E deitar-me na tua mão esfomeada.

Sou a roseira do teu quintal,

Sou a melodia do teu corpo,

Quando iluminado pelo Sol…

Sou,

Sou tudo aquilo que tu não queres que eu fosse.

Sou,

Sou o amanhecer,

O charco embriagado da tua boca,

Sou,

Sou o poeta do inferno,

O camuflado sem-abrigo,

Apaixonado,

Sem trigo.

Sou…

Sou tudo aquilo que eu quero ser;

Um sonhador,

Lenhador…

Poeta candado…

Das noites em flor!

 

 

 

Alijó, 12-06-2019

Francisco Luís Fontinha – Alijó

publicado por Francisco Luís Fontinha às 18:47

05
Mai 19

A sombra dos teus lábios,

Suspensa no silêncio da noite.

Desenho a madrugada,

No teu corpo de escrever,

Escrevo palavras,

Silêncios de sofrer.

Em cio todos os pássaros,

Todas as abelhas,

No telhado da aldeia,

A sombra dos teus lábios,

Brincando na eira,

Escrevo palavras,

Parvas,

No teu corpo alvorada,

Desisto,

A melancolia,

Um dia,

Morta na calçada.

A sombra dos teus lábios,

Que a noite vê crescer,

É luar,

É mar,

É poema de sofrer…

A sombra dos teus lábios,

Os pinceis da revolta,

O jardim envergonhado,

Sem escolta,

Descendo a calçada,

O sem-abrigo desgraçado,

De livro na mão…

Deita-se no chão,

Dorme tranquilamente como uma pomba…

Engana a fome com o poema,

Bebe todas as sílabas do poema…

E morre.

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

5/05/2019

publicado por Francisco Luís Fontinha às 19:47

03
Mai 19

A morte.

A tempestade dos cadáveres poéticos,

Quando do espelho, ao anoitecer, a mão do poeta sufoca o próprio poeta.

O comboio alimenta a morte,

O poema,

O texto.

O corpo do poeta evapora-se nos lábios de uma rosa,

Voa,

E chora ao anoitecer.

A morte.

A fragrância das palavras deitadas sobre a mesa,

Um candeeiro a petróleo vomita lágrimas de luz,

Escrevo,

Apago o que anteriormente escrevi,

Porque não faz sentido,

Porque a morte é parva, estúpida e ignorante…

A faca,

O pescoço alicerçado à lâmina,

O frio do aço que escorrega debaixo das mangueiras,

E nos braços, junto aos pulsos, a cratera do desespero,

Sem perceber o significado do sonho!

As nuvens suspensas na madrugada,

De hoje,

De ontem…

E de amanhã.

A morte,

A sagrada morte num corpo sofrido, silenciado pela sombra…

Nos teus braços.

Adormecer.

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

03/05/2019

publicado por Francisco Luís Fontinha às 19:51

02
Mai 19

O teu sorriso é uma rosa de pétalas encarnadas,

A sombra do plátano,

Na Primavera encantada,

O teu sorriso é o mar em cio,

A madrugada atrapalhada,

Quando regressa o frio.

O teu sorriso é uma jangada,

O silêncio da alvorada,

Junto ao rio.

O teu sorriso é um livro de poesia,

Palavras voando sobre a cidade dos pássaros…

No final do dia.

O teu sorriso,

O esplendor da floresta virgem,

As marés,

E os barcos de papel,

O teu sorriso,

Um batel,

Sonâmbulo das noites intermináveis…

Como uma jarra de flores,

Sobre a mesa,

Sobre a secretária…

Recheada de livros.

O teu sorriso é o luar,

Marinheiros enfurecidos nas asas do embriagado mar,

O teu sorriso é oiro,

Incenso,

Mirra…

Ai, menina, o teu sorriso!

O teu sorriso é literatura,

Ternura,

Nas tardes de xisto.

O teu sorriso é feitiço,

Nas caravelas,

No cais da despedida…

O teu sorriso é a sanzala,

O capim,

Jardim,

Que nunca se cala.

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

02/05/2019

publicado por Francisco Luís Fontinha às 19:45

28
Abr 19

Hei-de escrever-te um poema,

Numa tarde de Domingo,
enviá-lo pelo melro amigo,

Deste meu jardim recheado de palavras,

Hei-de escrever-te um poema,

Guardá-lo na algibeira,

Enquanto não regressa o melro amigo.

Hei-de semear uma bandeira,

Na tua mão de alecrim,

A bandeira do meu País…

Que vive a morte assim;

Uns são presos,

Outros, corruptos,

Outros nada são,

Só no meu País…

País do meu coração.

Hei-de escrever-te um poema,

Lindo de morrer,

Poema que vai aquecer,

O teu corpo de menina.

Hei-de escrever-te um poema,

Que um dia vai pertencer,

Ao livro da saudade,

Antes de eu morrer…

Hei-de escrever-te um poema,

Levar a espingarda,

E com o meu amigo melro,

Descer a escada,

Que dá acesso ao mar.

Levo a bandeira,

Levo a espingarda de papel…

Um dia vou,

Vou escrever-te um poema,

E assinar,

Ofereço-te a bandeira,

Ofereço-te o meu amigo melro…

Mas eu fico com o poema.

 

 

 

 

Francisco Luís Fontinha

28/04/2019

publicado por Francisco Luís Fontinha às 19:34

Minha poesia dos olhos negros,

Pássaro,

Avião,

Foguetão.

Minha flor endiabrada,

Perdida na cidade,

Amada.

Mulher poesia,

Canhão,

Espingarda…

Ela prometia.

Mulher poesia dos olhos negros,

Fantasma,

Madrugada,

Calçada.

Ajuda.

Ninguém me Ajuda…

Nesta embrulhada,

Da poesia,

Dos olhos negros.

Saio do mercado,

Não embriagado,

Mas feliz por estar vivo,

Beber uísque,

Namorar com a mesa,

Uma palette,

Desgraçada

Não amada.

Mulher, quem és tu?

De olhos negros, noite, felicidade…

Por escrever-te,

Por amar-te.

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

28/04/2019

publicado por Francisco Luís Fontinha às 00:18

27
Abr 19

Um fio de luz,

Desce o teu corpo,

Tens na algibeira o livro da nova poesia,

Que um dia, vai aportar na tua mão.

Trazes nos lábios o sabor da cereja bravia,

Cansada de correr,

E um dia,

Junto ao mar,

Vai morrer.

Trazes nos cabelos a luz da madrugada,

Negra,

Sem perceber,

Que a paixão,

Um dia, que a paixão um dia vai adormecer.

Trazes na boca a loucura,

As tâmaras apaixonadas da Primavera,

Toco-te, e acaricio-te…

E da minha mão,

Brotam toneladas de palavras.

São rosas,

São gladíolos…

São jardins em construção…

Como vampiros.

 

Um fio de luz, no teu olhar.

 

Serve-me.

 

Inspira-me.

 

Enquanto desce a noite nos teus seios…

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

27-04-2019

publicado por Francisco Luís Fontinha às 19:42

25
Abr 19

O pilantra poeta que vos escreve,

É um falso poeta,

É um nocturno livro com folhas de nada,

O abismo,

Na madrugada.

 

O falso poeta,

O profeta das palavras imaginadas por um louco,

Que um dia sonhou ser poeta,

E hoje é um palerma de merda,

Sentado numa qualquer esplanada.

 

O profeta, poeta, embrulha-se no seu poema,

Roubado dos jardins públicos da aldeia,

Escreve no chão,

Grita a liberdade por estar vivo

E não ter ido à Guerra.

 

Esse mesmo, o eu, o poeta de merda…

O homem dos sonhos irrealizáveis,

Dos desenhos abstractos das montanhas do silêncio…

Quase nada,

Nada.

 

O pilantra poeta,

O dos livros queimados,

O transeunte ilustre da cidade apagada…

Fujam de mim,

Que nada valho…

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

25/04/2019

publicado por Francisco Luís Fontinha às 19:48

24
Abr 19

O fogo.

O belo que arde,

O feio que resiste à tentação da paixão.

As lâminas da solidão quando alimentam as madrugadas de Inferno,

O algodão,

A barriga negra, queimada pelo xisto abstracto da noite,

O cansaço da fogueira,

Que descansa na calçada,

As lâmpadas do sofrimento,

O belo que arde,

O fogo,

A fogueira onde brincam as flores,

Os pássaros e as abelhas,

Poisam docemente nos teus lábios…

Apenas nos teus; em mim, não.

O medo de arder enquanto chove na minha mão,

O medo de te perder enquanto chove no meu corpo salgado pelo Oceano do clitóris…

Amanhã,

Não.

O fogo,

O regresso das espingardas de cartão,

Pummmmmmmmmmmmmm….

Suicida-se a poesia nas lápides,

Suicida-se o poema nas palavras tristes das lápides…

E… PUM.

O tiro certeiro na cabeça do carteiro,

A revolução dos petroleiros que a maré vomitou,

Marinheiros,

Mulheres,

Gajas, gajos,

Embriagados pelo amor.

Eu não.

Nunca.

Pum.

Morreu o caderno negro.

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

24/04/2019

publicado por Francisco Luís Fontinha às 18:39

22
Abr 19

A tristeza em construção.

Os alicerces das palavras semeadas no vento das amarrotadas folhas de papiro,

Os teus lábios lembrando os socalcos do Douro,

Na fotografia da chuva,

O vento traz a neblina cinzenta dos teus olhos magoados,

Em todas as Primaveras,

Em todas as tempestades de areia,

Os teus beijos que vivem nos livros deitados nas prateleiras da solidão.

Há uma janela virada para o mar.

Aqui habita um rochedo chamado de paixão…

Onde aportam pela madrugada, todos os petroleiros da minha infância.

Não semeies as tuas lágrimas nesta terra queimada,

Grita, se te apetece, mas grita bem alto,

Até que as andorinhas dêem pela tua presença,

Grita,

Grita como toda a gente deveria gritar…

Esta terra queimada,

Recheada de xisto,

São os pilares do teu corpo.

São horas do jantar,

Não vou comer,

Com tanta beleza… quem precisa de se alimentar?

O povo está furioso.

Faltou o tabaco, greve da Tabaqueira, greve das máquinas de cigarros…

Greves, greves…

Fumo merda?

Maldita terra sempre a zarpar,

Âncoras à chuva,

Sandálias de couro, calções…

O moço parecia um malandro de esquina,

Mas era feliz,

Tão feliz…

Que trouxe o mar com ele.

Hoje, vive nas montanhas juntamente com o mar,

E as gaivotas são as únicas visitas nos últimos tempos…

Dizem que me trouxeram.

Porquê?

Se eu era tão feliz lá…

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

22/04/2019

publicado por Francisco Luís Fontinha às 19:28

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