Blog de Luís Fontinha. Nasceu em Luanda a 23/01/1966 e reside em Alijó - Portugal desde Setembro de 1971. Desenhador de construção civil, estudou Eng. Mecânica na ESTiG. Escreve, pinta, apaixonado por livros e cachimbos...

30
Jun 17

Que sobre o amor nada tenho a dizer,
Saboreio a vida com prazer,
Todos os dias ao acordar,
Danço, escrevo e consigo navegar
Nos teus braços de manteiga,
Aceito,
Amo,
Percorro caminhos obscuros da maternidade…
Tenho em mim a saudade,
Da verdade,
Da sabedoria de nada saber…
A não ser…
Que a morte existe,
Persiste…
Persiste em me atormentar,
Navego no teu colo nascer do sol,
Quando o tempo se esquece de mim,
Tenho o teu jardim,
Desenhado,
Desenhado num caderninho…
Num caderninho dentro de mim,
Que sobre o amor nada tenho a escrever,
A não ser,
Viver.


Francisco Luís Fontinha

publicado por Francisco Luís Fontinha às 15:13

11
Jan 17

Tanto faz,

A alegria de morrer

Ou a tristeza de viver,

Tanto faz,

A alegria de escrever

Ou a tristeza de ler…

… o que escrevi sem o querer,

Tanto faz,

Hoje, este corpo de sofrer,

Ausente

Das lápides que a mão não sente…

As palavras do ser,

À palavra que mente.

 

 

Francisco Luís Fontinha

11/01/17

publicado por Francisco Luís Fontinha às 15:33

12
Dez 14

Estas palavras

são as tuas lágrimas

disfarçadas de anoitecer,

estas palavras

pertencem ao teu corpo

suspenso na escuridão,

estas palavras

são as tuas lágrimas...

entre as palavras... as tuas palavras de viver,

estas palavras

são as raízes do teu coração,

palavras, palavras... palavras em vão.

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Sexta-feira, 12 de Dezembro de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 23:32

12
Jul 14

Vivíamos encaixotados numa lâmina de silêncio,

tínhamos dentro de nós o sonho, tínhamos a transparência do amanhecer,

vivíamos sem saber que vivíamos...

viver,

 

Vivíamos dentro do espelho de uma folha por escrever,

vivíamos como se amanhã fosse o dia mais belo do luar,

tínhamos as palavras em gritos, e vivíamos acreditando que havia uma árvore nua, em despedida...

sentada na alvorada... esperando o regresso do mar,

 

Vivíamos no centro do círculo de vidro,

tínhamos no olhar a distância transatlântica do desespero..., havia em nós o medo, a solidão,

vivíamos não vivendo,

… porque tínhamos um beijo em nossa mão.

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Sábado, 12 de Julho de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 14:29

10
Jul 14

Não alimentes a minha fome,

porque eu não quero comer,

não, não grites o meu nome...

… porque sem a tua mão sou capaz de viver,

 

Escrever,

e... e sonhar,

 

Não alimentes a minha fome,

não cerres toas as janelas do meu olhar,

não me peças para chorar,

não, não sei chorar...

 

(escrever,

e... e sonhar),

 

Não alimentes a minha fome,

não quero os teus lábios de ciclone,

vagueando no meu peito, sobrevoando os meus cabelos tristes,

não,

porque insistes?

que eu seja o que nunca quis ser,

não,

não quero comer,

não,

não quero correr...

apenas quero ser o mar,

com lençóis de amanhecer,

 

(escrever,

e... e sonhar),

 

Não, não me obrigues a voar!

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Quinta-feira, 10 de Julho de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 21:24

29
Jun 14

A tua voz me entristece,

quando sei que deixou de existir em mim o verbo amar,

a minha cidade, lá longe, tão longe... que nunca a conseguirei alcançar,

dormir nela,

acordar cedo, e abrir a janela,

a janela que tenho no meu peito,

há gaivotas, e há um corpo que envelhece,

a tua voz... a tua voz me enlouquece,

e no entanto, sou obrigado a viver acorrentado a este silêncio sem nome,

a esta vergonha de perder sem ser encontrado,

... não sendo habitado,

nesta sanzala de papel...

 

Este esqueleto de gesso que carrego e me deito,

sem perceber que há lábios de mel, que há lábios de desejo..., lábios consumidos pela fogueira de beijar,

esta voz me entristece,

como a água do rio que se evapora,

e levita,

e procuro-te, e procuro-te...

e me dizem... aqui ninguém mora,

aqui... aqui ninguém... chora,

 

Aqui é proibida a escrita,

 

Os tentáculos do amor,

os seios de uma flor antes de acordar,

as cordas de nylon que ancoram a tua dor...

ao cais de embarcar,

 

A tua voz me entristece,

o teu corpo vacila na tempestade de sonhar,

o calendário não cessa de correr...

e come-te em pedacinhos,

a tua voz enfraquece,

e transforma-se em versos desesperados,

versos odiados,

versos de escrever...

a tua voz me entristece,

antes de alguém desenhar no tecto das tuas pálpebras a madrugada,

ainda não zarparam os barcos da minha infância,

ainda... ainda não encontrado o verbo “AMAR”...

 

A tua voz não pode gritar!

 

A tua voz é um feitiço,

uma nuvem vagueando sobre o Tejo,

a tua voz é um marinheiro mórbido, um marinheiro embriagado na esplanada do beijo...

há cadeiras apaixonadas, há sorrisos travestidos de amanhecer,

a tua voz não pode cessar, a tua voz... não pode morrer,

a tua voz... não é o meu verbo “AMAR”...

que... que deixou de ser,

que... que deixou de sofrer...

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Domingo, 29 de Junho de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 18:56

(para ti)

 

 

Eu te quero,

mergulhar nas cinzas abandonadas do rio que te absorve,

escrever na flácida pele que te embrulha para separarem a tua pele... da minha pele,

eu te quero,

desfeita em pedaços de suor,

palavras suicidadas das folhas emagrecidas,

palavras de amor,

eu te quero,

como quero viver,

mergulhar nos teus tentáculos que só o desejo conhece..., dentro de ti,

eu te quero... como quero morrer...

apenas... apenas ser.

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Domingo, 29 de Junho de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 10:47

11
Jan 14

foto de: A&M ART and Photos

 

Inspiração quanto baste, três desejos e um sonho, o mar sumarento e sensível como a pele límpida da alvorada, quatro árvores desajeitadas e sem sono, uma drageia ao pequeno-almoço e outra...

Ao deitar?

E a outra e mais outra, a inspiração, o orvalho, o soalho e o espelho, a cama em lágrimas e o sofrimento impregnado nas lâminas transversais do gesso embriagado, quatro árvores em decadência, um corpo suspenso na madrugada, a chuva, as nuvens apaixonadas pelo triste cacimbo... e nada mais, e apenas um menino

Ao deitar?

Quatro drageias, três árvores em desejo misturado em cinco quintos de sonho, uma

Merda?

Ao deitar?

As fotografias em constante transbordo, a locomotiva da paixão descarrilou, ravina abaixo, ravina acima, a mini-saia encarnada e as meias com bolinhas brancas, no joelho a nódoa negra, a pedra em granito que caiu do silêncio camafeu em robe e velho pijama, o corredor, a espera, a derradeira espera, uma janela, cigarros na mão, ao longe, ao longe o metro de superfície parecendo uma lesma sobre os muros em xisto do Douro Vinhateiro, socalcos de pano, lanternas na cabeça, e a burra... tropeçando, e a burra...

Ao deitar?

Desesperado eu, a inspiração em drageias, quatro, cinco... ou nenhuma... as janelas embebidas na dor e eu sentado, braços cruzados, braços descruzados, e eu... compro cigarros, e eu... não compro cigarros, e eu... desesperando, pensando, pensando

O que será de nós?

E ao deitar,

Não sei se a imaginação vive dentro de mim ou se eu, e eu... compro cigarros, e eu... não compro cigarros, cruzo os braços, descruzo e enrolo-me à dor dos presentes, fumo, não fumo, abro a janela, não abro a janela... apetece-me saltar, aterrar do outro lado da rua, cair sobre os carris do metro, deitar-me de barriga para o céu... e gritar, e... e chorar..., e

Ao deitar tomo as drageias da saudade, meio copo com água, um copo com uísque, dissolvidas todas como sementes junto à eira em Carvalhais, irrita-me

Ao deitar?

O metro de superfície correndo como um louco, e dizem que o louco sou eu, cruzo, descruzo, invento desenhos nas paredes incolores da tristeza, oiço-os em conversas desalinhadas, finjo não os ouvir, eu não os quero ouvir,

Ao deitar? E ao deitar a sonolenta voz das palavras, a neve sobre os telhados que a dor deixa nos malditos ossos, frágil – cuidado, cuidado com o cão, cuidado com as carruagens do metro de superfície engasgadas, tosse e rouquidão, não sei se fume, não fume ou fume, comprar cigarros, saltar a janela, saltar o gradeamento, saltar os carris... e eu... e eu imaginando cigarros nas paredes coloridas da cela, a porta abre-se...

E?

O que será de nós?

E ao deitar, o perfume da Cinderela passeando junto aos carris...

(desesperado eu, a inspiração em drageias, quatro, cinco... ou nenhuma... as janelas embebidas na dor e eu sentado, braços cruzados, braços descruzados, e eu... compro cigarros, e eu... não compro cigarros, e eu... desesperando, pensando, pensando

o que será de nós?)

Inspiração quanto baste, três desejos e um sonho, o mar sumarento e sensível como a pele límpida da alvorada, quatro árvores desajeitadas e sem sono, uma drageia ao pequeno-almoço e outra...

Ao deitar?

Ao deitar as drageias, os silabados imaginados por um louco que depois da felicidade deseja voar como gaivotas sobre os petroleiros vampiros que habitam os rios dos velhos sonhos de infância,

Não sei, não... sei... não sei se ele conseguirá...!

Talvez,

Ao deitar?

Talvez... talvez ao deitar.

 

 

(não revisto)

@Francisco Luís Fontinha – Alijó

Sábado, 11 de Janeiro de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 23:45

09
Jan 14

foto de: A&M ART and Photos

 

Desejar o sol é muito

porque nada desejei

escrever é estar vivo... amar quem nunca amei

e nunca quis acreditar nas esplanadas em vidro

desejar a lua é tão pouco pouco

para quem quer ser as frestas de solidão que embrulham o teu desnudo corpo

as flores

os cansaços emagrecidos do plasma adormecido,

 

Desejar é pouco ou quase nada

desejar o silêncio que embainham os teus lábios... desejei-o e cansei-me de esperar

que abrissem as janelas do doce colarinho de espuma que o mar deixa sobre os lençóis de seda...

desejar é tudo

desejar... desejar que arrefeça a tua mão

que cresça o tua paixão com asas em papel... desejar o sol

e ter a lua

desejar a lua

e ter apenas a sombra da montanha... sem o sol vomitando asneiras em palavras envenenadas

desejar-te como o és... uma rosa nua

de veludo

uma rosa apaixonada dos jardins suspensos que habitam a madrugada,

 

Sem fronteiras de cetim

deitada a meus pés...

desejar o sol é muito

porque nada desejei

escrever é estar vivo... amar quem nunca amei

e nunca quis acreditar nas esplanadas em vidro

desejar a lua

é pouco... tão pouco... tão pouco... que deixei de acreditar que estou vivo...

 

 

(não revisto)

@Francisco Luís Fontinha – Alijó

Quinta-feira, 9 de Janeiro de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 23:10

10
Nov 13

foto de: A&M ART and Photos

 

os pigmentos da sinceridade desfazem-se nos meandros seios de espuma das andorinhas em flor

oiço-as vorazmente sem o saber

as canções melódicas das Princesas com vestidos de prata

os pigmentos olhos da mulher impregnada de insectos e palavras adversas

escondem-se

e mergulham nas algas salgadas dos campos de maré agoniada como papeis emagrecidos nas tendas do circo ambulante

sinto-os correr nas travessas dos carris do aço abraço

e acorrentam-se-me como se eu fosse um barco naufragado

fundeado no teu peito em arbustos artificiais como o era a tua boca transversal

e desconexa

ofegantes dedos de cristal nas plumas do cansaço avião invisível em pequenos desenhos de granito

e imaginas-me vagueando mendigos nas ruas de uma cidade sem lei

da cidade dos tristes corações de pedra...

sou forçosamente obrigado a suicidar-me pelas palavras que escrevo

e detesto quando acordam as manhãs de Domingo...

e não encontro os óculos

e não encontro a tua mão para me guiar até às escadas do silêncio

 

 

(não revisto)

@Francisco Luís Fontinha – Alijó

Domingo, 10 de Novembro de 2013

publicado por Francisco Luís Fontinha às 13:16

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