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Cachimbo de Água

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Voos nocturnos

Francisco Luís Fontinha 31 Dez 13

foto de: A&M ART and Photos

 

Voo entre as espadas de sombra das paredes de gesso

oiço do vão de escada os uivos do lobo cinzento

talvez se sente

talvez... me espere

oiço-lhe na voz os silêncios do medo

os arrufos da solidão

do vão de escada... alcança-se o sótão das palavras

onde habita uma folha rasgada,

 

Uma frase suspensa no arame da paixão...

uma moeda de prata que roda sobre a mesa-de-cabeceira

voo e não dou conta dos ponteiros do velho relógio em direcção ao abismo

uma trégua... preciso urgentemente da trégua do sossego

uma amiga palavra

uma toalha envenenada

encharcada... como o éter embriagado depois das pétalas caírem sobre o mar

e a gaivota dos teus lábios acordar das marés esverdeadas,

 

Voo... entre as espadas... gesso

sinto-o como lâminas de espuma sobre o meu pescoço à deriva no Oceano do amor

voo e não voo.. vou depois de partir conhecer os túmulos secretos dos esqueletos em desejo

voo como uma gaivota sem asas

estonteante

doente...

fugindo da doce guilhotina dos dias sem Primavera

voo e voo até tombar como uma árvore sobre o jardim das despedidas...

 

Fingidas

sinto-o como sentia o sal dentro das minhas veias

cordas de nylon voavam como eu sobre a cidade dos delírios

despedidas...

porquê?

aceites somos palhaços de palha seca dormindo no centro da eira com vista para a torre da Igreja

e de fingidas

às... prometidas... prometidas espadas de sombra das paredes de gesso.

 

 

(não revisto)

@Francisco Luís Fontinha – Alijó

Terça-feira, 31 de Dezembro de 2013

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