Blog de Luís Fontinha. Nasceu em Luanda a 23/01/1966 e reside em Alijó - Portugal desde Setembro de 1971. Desenhador de construção civil, estudou Eng. Mecânica na ESTiG. Escreve, pinta, apaixonado por livros e cachimbos...

17
Fev 17

Triste a vida de marinheiro,

Prisioneiro

Neste porto sem nome,

 

Estes socalcos me enganam

E abraçam o rio da saudade,

Estes socalcos lapidados na sombra da noite

Quando regressa a verdade,

E tenho no corpo o medo da revolta,

E tenho nas mãos o silêncio que não volta,

Estes socalcos da triste vida de marinheiro,

Prisioneiro

Neste porto sem nome…

E distante da madrugada,

 

Nem idade,

Nem dinheiro,

 

Triste,

Triste a vida de marinheiro

Assombrado pelo amanhecer do desejo

Que se perde num beijo…

 

Nem cidade,

Nem dinheiro,

 

E no tempo se esquece o coração de prata

Das marés loiras que o mar desajeita

E rejeita

Contra a corrente,

 

Triste a vida de marinheiro…

Triste,

Triste na cidade ausente.

 

 

 

Francisco Luís Fontinha

17/02/17

publicado por Francisco Luís Fontinha às 16:13

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